O que os dados mostram

Em Mato Grosso do Sul, as emendas municipalizadas tendem a se concentrar onde o parlamentar já tem mais apoio eleitoral. O estudo também encontra associação entre empenhos anteriores e votação posterior. As duas relações, porém, não demonstram que o recurso tenha causado o voto nem que cada aumento de apoio provoque uma nova destinação.

As trajetórias individuais ajudam a entender esse limite. Em Dourados, Rodolfo Nogueira passou de 12.635 para 21.241 votos nominais entre 2022 e 2026, enquanto Lia Nogueira passou de 12.883 para 10.969. Ambos tiveram empenhos expressivos identificados no município, com valores e períodos diferentes. Em Campo Grande, Luiz Ovando perdeu votos e Camila Jara ganhou. São contrastes a explicar, não provas isoladas de sucesso ou fracasso das emendas.

Na Assembleia Legislativa, o total de empenhos estaduais apresenta correlação próxima de zero com a proporção de votos favoráveis a matérias do Executivo. Já a associação com votar na minoria é negativa, mas sensível às oportunidades de voto e aos critérios adotados. Os pontos ideais e os mapas eleitorais acrescentam outras dimensões: como os deputados se distribuem nos padrões de votação legislativa e como suas bases se organizam no território.

1. Três perguntas, três tipos de evidência

Este relatório reúne três partes de uma mesma investigação. A primeira estima associações entre votação e recursos com controles estatísticos. A segunda acompanha deputados e municípios concretos, com votos, recursos e indicadores locais. A terceira relaciona as emendas estaduais às votações da ALEMS e apresenta estimativas de posicionamento legislativo.

Cada peça responde a uma pergunta diferente. A análise procura saber se há um padrão que permanece depois de descontar determinadas diferenças entre parlamentares, municípios e anos. Os casos mostram a diversidade de trajetórias escondida nas médias. As votações da Assembleia permitem examinar o comportamento legislativo, que não é a mesma coisa que a votação recebida nas urnas.

Os perfis atuais incluem oito autores federais e 25 estaduais, ligados aos 79 municípios: 2.607 combinações. Vinte e cinco autores estaduais não significam 25 cadeiras ocupadas simultaneamente; substituições e períodos de exercício também importam. O painel histórico federal da análise é mais amplo: 21 pessoas distintas e 7.268 combinações parlamentar–município–ano entre 2014 e 2025. O estadual reúne 3.950 combinações em 2024–2025.

O que chamamos de recurso neste relatório? Nos casos individuais, usamos empenhos documentais localizados. Empenho é um compromisso orçamentário. Não comprova, sozinho, pagamento, obra concluída ou serviço entregue. Os valores federais dos perfis cobrem janeiro de 2023 a setembro de 2026; os estaduais, janeiro de 2024 a setembro de 2026. A janela estadual não recupera uma exposição completa de 2023.

Nessas janelas, foram localizados R$ 644,75 milhões em empenhos municipais dos oito federais e R$ 176,76 milhões dos 25 estaduais. Outros R$ 348,74 milhões federais ficaram sem município identificável no recorte. Não foram distribuídos artificialmente entre cidades. Os totais dos dois níveis não devem ser comparados como se os períodos, cotas e cobertura fossem iguais.

2. Mais apoio anterior, mais recursos municipalizados

O primeiro resultado da análise é territorial. Municípios em que o parlamentar tinha maior participação nos votos tendem a apresentar maior probabilidade de empenho registrado e maior valor esperado de emendas. Essa participação corresponde aos votos nominais do candidato divididos pelos votos nominais do mesmo cargo na cidade. Passar de 5% para 15% é aumentar dez pontos percentuais.

No painel federal de 2014–2025, essa diferença de dez pontos está associada a 60,0% a mais no valor esperado empenhado, com intervalo de 95% de 42,3% a 80,0%. Na janela comum de 2024–2025, o contraste é de 50,4% entre federais e 151,5% entre estaduais. Os intervalos são, respectivamente, 12,1% a 102,0% e 90,5% a 232,2%.

O padrão não diz respeito apenas ao tamanho do valor. Na mesma janela comum, dez pontos adicionais de votação correspondem a cerca de dez pontos percentuais a mais na probabilidade de haver empenho federal registrado e 18,5 pontos na estadual. Os modelos de pagamento também apresentam associação positiva, embora pagamento e empenho continuem sendo etapas distintas.

A análise compara destinos do mesmo parlamentar em cada exercício e desconta fatores anuais comuns aos deputados em cada município. Assim, não é apenas uma comparação entre deputados com orçamentos maiores e menores. Ainda assim, relações específicas e duradouras entre um deputado e uma cidade podem influenciar simultaneamente votos e recursos.

Na figura, LPM representa a probabilidade de registro, em pontos percentuais; PPML, a variação percentual do valor esperado, incluindo zeros; LOG, uma análise complementar apenas dos valores positivos. Esses três painéis não têm a mesma unidade. Os pontos mostram as estimativas e as linhas, sua incerteza.

Figura 1. Apoio eleitoral anterior e emendas

Figura 1. Apoio eleitoral anterior e emendas

Contraste de +10 pontos percentuais na votação. LOG e PPML em porcentagem; LPM em pontos percentuais. Linhas: intervalos de 95%.

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3. Bases duradouras não são respostas automáticas ao voto

Um dos resultados mais importantes aparece quando a pergunta muda. Em vez de comparar uma base tradicionalmente forte com outra fraca, o modelo procura descontar tudo o que permanece estável na relação entre o mesmo deputado e o mesmo município.

Nas mesmas observações do painel federal, o contraste de dez pontos de votação é de 51,0% sem esse controle. Ao acrescentá-lo, cai para −0,1%, com intervalo de −30,8% a +44,2%. A relação entre diferenças territoriais é nítida, mas a resposta às mudanças eleitorais dentro de cada relação não é estimada com precisão.

Isso é compatível com a importância de bases, vínculos e trajetórias duradouras. Não demonstra que o parlamentar seja indiferente a novas votações: o intervalo ainda comporta mudanças relevantes nos dois sentidos. O resultado impede, porém, que a concentração em redutos seja automaticamente narrada como uma recompensa por cada ganho recente de votos.

Figura 2. A comparação dentro da mesma relação territorial

Figura 2. A comparação dentro da mesma relação territorial

Mesmas observações nos modelos sem e com efeito fixo do par deputado–município. Não rejeitar zero no modelo com par não demonstra ausência de resposta.

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4. Estaduais e federais: uma diferença que depende da escala

Os coeficientes estaduais são maiores na comparação de dez pontos percentuais. Mas uma diferença desse tamanho pode representar uma alteração relativamente incomum numa distribuição eleitoral e mais comum em outra. Por isso, a análise compara também aumentos equivalentes a um desvio-padrão da votação dentro de cada nível.

Nessa escala, as associações estimadas são de 33,7% a mais de empenho federal e 58,9% estadual. O teste conjunto da diferença tem p = 0,084 e a reamostragem de parlamentares produz aproximadamente 0,100. A diferença pontual é maior entre estaduais, mas a evidência é menos precisa do que sugere a comparação bruta, cujo teste tem p = 0,003.

As escalas respondem a perguntas diferentes. Elas não autorizam escolher apenas o resultado mais conveniente. Tampouco isolam uma explicação institucional: proximidade com lideranças locais, tamanho das cotas, regras setoriais e processos de execução variam conjuntamente. O mesmo território e os mesmos anos melhoram a comparação, mas não tornam as arenas equivalentes.

Figura 3. A diferença entre níveis sob três escalas

Figura 3. A diferença entre níveis sob três escalas

Janela 2024–2025. Comparações por dez pontos percentuais, um desvio-padrão dentro do nível e posição na base do parlamentar. Os tamanhos dos contrastes não são intercambiáveis.

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5. Os empenhos anteriores se associam à votação seguinte

A outra direção da relação pergunta se os recursos anteriores à eleição estão associados ao apoio recebido depois. Para isso, a análise usa documentos de empenho datados antes do corte eleitoral, acompanha quem disputou o mesmo cargo nas duas eleições e controla a votação inicial, além de diferenças gerais entre municípios e parlamentares.

Entre combinações com empenho positivo, duplicar o valor está associado a 1,32 ponto percentual a mais na votação federal seguinte em 2014→2018, 0,69 em 2018→2022 e 1,40 em 2022→2026. Para estaduais em 2022→2026, a associação é de 0,89 ponto. Os intervalos de 95% são 0,46–2,18; 0,32–1,07; 0,90–1,89; e 0,53–1,25, respectivamente.

Duplicar significa comparar, por exemplo, R$ 1 milhão com R$ 2 milhões de empenho dentro da janela definida. Não significa que adicionar R$ 1 milhão a qualquer município produziria aquele ganho. O parlamentar pode antecipar crescimento eleitoral, direcionar recursos para uma aliança em expansão ou atender demandas que também afetam sua votação.

As quatro linhas da figura incluem 218, 411, 396 e 761 observações, respectivamente. A transição eleitoral identifica as duas eleições comparadas, não o início da soma financeira. No recorte mais recente, os documentos começam em 2023 para federais e em 2024 para estaduais.

Também não há base robusta para afirmar que o retorno ficou maior ao longo do tempo. No teste que permite níveis próprios de cada município e parlamentar em cada transição, a diferença entre 2022→2026 e 2014→2018 é de 0,03 ponto por duplicação, com intervalo de −0,94 a 1,01 e p = 0,949. A ordem dos coeficientes isolados não resolve essa comparação.

Figura 4. Empenhos anteriores e votação seguinte

Figura 4. Empenhos anteriores e votação seguinte

Pontos percentuais na votação seguinte por duplicação de empenho entre pares positivos, com controle da votação anterior. As janelas financeiras diferem e os resultados são associacionais.

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6. Prefeitos, vínculos e necessidades locais

Prefeitos podem ajudar a identificar demandas, viabilizar projetos e divulgar recursos. A análise pergunta se o alinhamento partidário com a prefeitura torna a distribuição mais concentrada nos lugares onde o deputado já é forte. A evidência não sustenta essa complementaridade como regra geral.

No federal, a interação entre alinhamento e votação é imprecisa. No estadual, seu sinal é negativo, mas a precisão depende do procedimento: p = 0,060 na inferência principal e 0,0115 na reamostragem. Esse padrão é compatível com a possibilidade de uma prefeitura aliada facilitar acesso também onde o deputado tem menos votos. Não identifica, por si, esse mecanismo.

Os modelos também consideram naturalidade e carreira municipal anterior. Entre estaduais, o município de nascimento apresenta associação positiva com presença e valor de empenhos. A associação da votação permanece. Isso reforça a necessidade de separar força eleitoral de vínculos pessoais observáveis, sem supor que os indicadores esgotem todas as relações locais.

Nos exercícios contemporâneos, população e distância da capital se associam aos valores. Já os indicadores de necessidade e capacidade não produzem um padrão uniforme e preciso. Nos modelos estaduais de saúde, educação e assistência, a votação continua positivamente associada aos valores, enquanto os indicadores setoriais de necessidade são imprecisos. Não se pode converter essa imprecisão em prova de que as necessidades sejam ignoradas.

As análises por ano e modalidade também são descritivas. Cobertura, composição de parlamentares e regras institucionais mudam ao mesmo tempo. A figura anual mostra essa variação, mas não identifica o efeito de uma reforma. O ano de 2015 não tem ajuste isolado por insuficiência de observações positivas.

Figura 5. Variação da associação ao longo dos exercícios federais

Figura 5. Variação da associação ao longo dos exercícios federais

Coeficientes PPML por exercício, sem interpretação como efeito de reformas. 2014 tem cobertura incompleta; 2015 não é estimado isoladamente por poucos positivos.

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Como interpretar esses padrões

A concentração territorial pode refletir a manutenção de bases eleitorais, enquanto a votação posterior pode estar associada aos recursos destinados aos municípios. Vínculos partidários, atuação dos prefeitos, demandas locais e condições de execução ajudam a formular explicações para esses padrões.

Essas interpretações não se excluem automaticamente. Um recurso pode atender uma necessidade pública e ser eleitoralmente relevante. Da mesma forma, correlação com uma base não demonstra uma troca individual de benefício por voto. O conceito de clientelismo exige elementos de condicionalidade que os dados municipais utilizados não observam. A contribuição aqui é tornar visível uma geografia política e testar seus limites, não atribuir intenções a cada decisão.

7. Dez casos: trajetórias que a média não conta

Estes casos aproximam empenhos documentais localizados, votos nominais e participação local no total de votos do mesmo cargo. São descrições de trajetórias, não estimativas do efeito das emendas sobre o voto.

Empenho é compromisso orçamentário, não prova de pagamento ou entrega. A janela federal vai de 1º de janeiro de 2023 a 30 de setembro de 2026; a estadual, de 1º de janeiro de 2024 a 30 de setembro de 2026. Os montantes de níveis distintos não são diretamente comparáveis. Datas de documentos podem cobrir apenas parte da janela.

A variação em pontos percentuais compara 2022 e 2026 apenas para quem disputou o mesmo cargo. O valor por habitante divide empenho localizado pela população residente em 2022 e deve ser lido junto ao total e ao tamanho municipal. Beneficiários são nomeados somente quando foi possível confirmar sua vinculação à emenda. Nenhum recorte, isoladamente, demonstra causalidade, intenção ou crédito político exclusivo.

Rodolfo Nogueira em Dourados: o maior montante federal localizado

Dourados registra R$ 26.875.075 em empenhos federais localizados associados a Rodolfo Nogueira, o maior valor parlamentar-município da seleção. São oito documentos, entre 26 de junho de 2025 e 8 de maio de 2026. A cidade tinha 243.367 habitantes em 2022. O total equivale a R$ 110,43 por habitante e 35,9% dos empenhos municipais localizados para o deputado.

Entre os beneficiários vinculados às emendas, R$ 15.891.070 aparecem associados ao Município de Dourados, R$ 10.484.005 ao Fundo Municipal de Saúde e R$ 500 mil ao Fundo Municipal de Assistência Social. Essa vinculação não confirma pagamento ou entrega.

A votação local de Rodolfo para deputado federal passou de 12.635 votos nominais em 2022 para 21.241 em 2026. Sua participação cresceu 6,66 pontos percentuais. Na mesma cidade, Lia Nogueira tem empenhos estaduais e queda na participação. Como as janelas financeiras diferem, os totais não são diretamente comparáveis. A coexistência entre montante e crescimento eleitoral não revela se um causou o outro.

Lia Nogueira em Dourados: concentração estadual e queda na participação

Na janela estadual de janeiro de 2024 a setembro de 2026, foram localizados R$ 3.324.690,46 em empenhos associados a Lia Nogueira em Dourados. São 71 documentos, entre 11 de junho de 2024 e 30 de junho de 2026. O valor representa 39,3% do empenho municipal localizado para a deputada e R$ 13,66 por habitante, com base nos 243.367 moradores em 2022.

Os beneficiários identificados incluem o Fundo Municipal de Saúde, a Fundação Cardiogeriátrica Cel. José Alves Marcondes, conhecida como FUNPEMA, e a Fundação Pio XII. O Fundo de Saúde soma R$ 630 mil em seis documentos; a Fundação Pio XII, R$ 156.250 em duas cotas. No documento 2026NE006781, o empenho total de R$ 400 mil foi rateado entre Lia e Neno Razuk, com R$ 200 mil atribuídos a cada um. Os registros não comprovam pagamento ou serviço realizado.

A votação de Lia para deputada estadual caiu de 12.883 votos nominais em 2022 para 10.969 em 2026. Sua participação recuou 1,64 ponto percentual. Ao lado do caso federal de Rodolfo Nogueira na mesma cidade, a trajetória mostra outra combinação de recursos e votos, sem comparação direta entre níveis ou explicação causal.

Luiz Ovando em Campo Grande: empenhos altos e participação menor

Campo Grande registra R$ 25.065.798,13 em empenhos federais localizados associados a Luiz Ovando, distribuídos em 62 documentos de 2 de maio de 2023 a 19 de junho de 2026. Com 898.100 habitantes em 2022, o valor corresponde a R$ 27,91 por habitante e 22,5% do total municipal localizado para o parlamentar.

A votação nominal de Ovando na capital passou de 22.256 em 2022 para 14.132 em 2026. Sua participação entre os votos para deputado federal caiu de 5,03% para 3,17%, redução de 1,87 ponto percentual. O caso põe lado a lado volume localizado e queda eleitoral, sem demonstrar por que a votação diminuiu ou como os eleitores avaliaram os recursos.

Os documentos registram empenhos, não confirmação de desembolso, entrega ou recebimento final. Camila Jara, também em Campo Grande e no nível federal, combina outro montante e outra trajetória. O contraste contextualiza experiências diferentes, mas não identifica causa e efeito.

Camila Jara em Campo Grande: mais votos e maior participação

Foram localizados R$ 12.097.000 em empenhos federais associados a Camila Jara em Campo Grande, em dez documentos entre 26 de abril de 2024 e 19 de junho de 2026. A cidade tinha 898.100 habitantes em 2022; o montante corresponde a R$ 13,47 por habitante e 23,5% do total municipal localizado para a deputada.

Camila recebeu 37.737 votos nominais na capital em 2022 e 63.523 em 2026. Sua participação nos votos locais para deputada federal subiu de 8,53% para 14,23%, avanço de 5,70 pontos percentuais. A contagem absoluta e a participação respondem a perguntas diferentes: uma conta votos; a outra considera o total local do mesmo cargo.

O recorte não demonstra que empenhos produziram o crescimento. Campanha, alianças, exposição pública e outros fatores também podem compor uma trajetória eleitoral. Os documentos representam compromissos orçamentários, não pagamento ou entrega. A comparação com Luiz Ovando mostra trajetórias distintas na mesma cidade, sem explicar por que diferem.

Marcos Pollon em Caarapó: valor elevado por habitante

Caarapó registra R$ 15.557.544,08 em empenhos federais localizados associados a Marcos Pollon, em 14 documentos entre 22 de abril de 2024 e 19 de junho de 2026. O valor representa 17,3% do total municipalizado identificado para o parlamentar. Com 30.612 habitantes em 2022, a cidade tem R$ 508,22 por habitante no cálculo descritivo.

Entre os beneficiários vinculados às emendas estão o Município de Caarapó, com R$ 8.630.612,08 em dois códigos; o Fundo Municipal de Saúde, com R$ 6.676.932 em seis; e o Fundo Municipal de Assistência Social, com R$ 250 mil em um código. A vinculação desses beneficiários às emendas não confirma pagamento ou entrega.

Pollon recebeu 1.248 votos nominais em 2022 e 1.917 em 2026. Sua participação local para deputado federal aumentou 4,28 pontos percentuais, de 8,54% para 12,82%. O crescimento coexistiu com os empenhos, mas os dados não estimam se recursos contribuíram para a mudança. O valor per capita precisa ser lido junto ao total absoluto e à população.

Rinaldo Modesto em Campo Grande: 42,6% dos empenhos municipais do deputado

Rinaldo Modesto tem R$ 3.416.561,87 em empenhos estaduais localizados em Campo Grande, o maior montante estadual de uma combinação parlamentar-município desta seleção. São 97 documentos entre 12 de junho de 2024 e 25 de agosto de 2026. Na capital, de 898.100 habitantes em 2022, o valor equivale a R$ 3,80 por habitante e 42,6% do total municipal localizado para o deputado.

Os beneficiários identificados incluem associações, escolas e instituições de saúde. A Associação de Reabilitação Parceiros da Vida/Esquadrão da Vida aparece com R$ 150 mil em dois documentos. Associação Recanto São João Bosco, APM da EE 11 de Outubro, APM EE Padre José Scampini e Fundo Municipal de Saúde de Campo Grande aparecem com R$ 100 mil cada. Instituto Amor Fraternal soma R$ 73,5 mil em um documento. Empenho não prova pagamento ou entrega.

A votação local para deputado estadual subiu de 6.820 votos nominais em 2022 para 15.003 em 2026. A participação avançou 1,88 ponto percentual, de 1,52% para 3,41%. A coexistência entre empenhos e crescimento não demonstra que um produziu o outro.

Lucas de Lima em Rochedo: empenho por habitante e queda de votos

Rochedo tem R$ 760 mil em empenhos estaduais localizados associados a Lucas de Lima, em quatro documentos de 29 de maio de 2024 a 26 de março de 2026. A população de 5.199 em 2022 coloca o montante em R$ 146,18 por habitante, maior valor estadual per capita entre as combinações da grade. O total absoluto, porém, é menor que os maiores montantes. O caso representa 10,1% dos empenhos municipais localizados para o deputado.

Os objetos registrados incluem saúde e educação, mas não comprovam pagamento ou serviço entregue.

Lucas recebeu 362 votos nominais em Rochedo em 2022 e 345 em 2026. Sua participação nos votos locais para deputado estadual caiu de 11,87% para 10,46%, recuo de 1,41 ponto percentual. Um valor por habitante relativamente alto coexistiu com perda de participação, sem demonstrar causa. A população pequena também amplia o indicador per capita. Para interpretar a medida, é preciso considerar o valor absoluto, o tamanho municipal e o período dos documentos.

Dagoberto em Novo Horizonte do Sul: maior empenho federal por habitante

Novo Horizonte do Sul registra R$ 4.233.545 em empenhos federais localizados associados a Dagoberto, em cinco documentos de 5 de julho de 2023 a 8 de maio de 2026. Com 4.721 habitantes em 2022, o montante equivale a R$ 896,75 por habitante, maior valor federal per capita entre as combinações da grade. A população pequena contribui para essa medida; o total absoluto é R$ 4,23 milhões.

Dagoberto obteve 423 votos nominais no município em 2022 e 328 em 2026. Sua participação nos votos para deputado federal caiu de 15,47% para 12,59%, redução de 2,89 pontos percentuais. A mudança não identifica por que a votação caiu nem como os eleitores avaliaram os recursos.

Os documentos demonstram empenhos localizados, não pagamentos ou entrega. Lucas de Lima em Rochedo também combina município pequeno e queda de participação, mas envolve outro nível de governo e janela financeira. O paralelo ajuda a discutir o denominador populacional, não permite comparar diretamente os parlamentares.

Caravina em Glória de Dourados: uma base inicial de 20 votos

Caravina recebeu 20 votos nominais em Glória de Dourados em 2022 e 1.794 em 2026. Sua participação local para deputado estadual subiu de 0,38% para 33,14%, avanço de 32,76 pontos percentuais. O ponto inicial é essencial: quando a votação era de apenas 20, a mudança percentual pode ser grande. Em 2026, a cidade registrou 5.414 votos nominais para o cargo, e Caravina recebeu cerca de um terço.

Foram localizados R$ 127.700 em empenhos estaduais, em dois documentos de 22 de julho de 2024 a 13 de agosto de 2025. Glória de Dourados tinha 10.444 habitantes em 2022; o total equivale a R$ 12,23 por morador e 1,7% dos empenhos municipais localizados para o parlamentar. Os objetos cadastrados incluem saúde e equipamento escolar, sem confirmação de pagamento ou entrega.

A participação aumentou enquanto o empenho localizado foi relativamente pequeno. Isso descreve duas medidas no território, não uma relação causal. A contagem inicial de votos e os denominadores locais são tão importantes quanto a alta em pontos percentuais.

Londres Machado em Coronel Sapucaia: alta sobre uma base maior

Em Coronel Sapucaia, Londres Machado recebeu 515 votos nominais em 2022 e 3.312 em 2026. Sua participação local para deputado estadual aumentou de 6,33% para 36,83%, alta de 30,50 pontos percentuais. A base inicial era maior que os 20 votos de Caravina em Glória de Dourados. Os aumentos podem parecer semelhantes quando vistos só em pontos percentuais, mas têm escalas diferentes; as contagens ajudam a contextualizar.

Os empenhos estaduais localizados somam R$ 460 mil em quatro documentos, entre 29 de julho de 2024 e 16 de junho de 2026. Com 14.289 habitantes em 2022, o valor corresponde a R$ 32,19 por habitante e 6,1% do empenho municipal localizado para Londres Machado.

Os documentos registram compromissos orçamentários, não comprovam pagamento ou serviço entregue. Mudanças de voto também podem refletir candidaturas concorrentes e contexto eleitoral, que estes dados não isolam. O crescimento de participação é uma pista para apuração, não uma explicação sobre causa ou crédito político.

8. Consulte os parlamentares e os 79 municípios

Os perfis permitem conferir a amplitude territorial das emendas, os principais destinos e as votações. Na consulta municipal, escolha um parlamentar e procure a cidade desejada. Os valores correspondem aos registros localizados na janela indicada; uma célula sem registro não comprova ausência de recursos.

Há 27 autores que disputaram o mesmo cargo nas duas eleições. Mara Caseiro e Roberto Hashioka disputaram deputado federal; João Henrique, governador; Vander Loubet, senador. Nesses casos, as contagens são exibidas, mas a variação de participação não é tratada como comparável. João César e Neno Razuk permanecem sem candidatura de 2026 confirmada neste cruzamento, com informação ausente, não zero.

Para Jamilson Name, constam 35.211 votos nominais e zero votos nominais válidos em 2026. Ambas as medidas são preservadas. Este relatório não estabelece a razão jurídica ou administrativa da diferença. Sua variação nominal deve ser lida com essa ressalva, e o caso não integra a seleção comum de destaques.

9. As emendas e as votações na ALEMS

A comparação entre empenhos estaduais destinados aos municípios e os registros nominais de votação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul não mostra uma relação simples entre recursos e comportamento parlamentar. O cruzamento reúne 25 autores de emendas estaduais, todos vinculados a registros de votação, e 79 municípios por autor. Na base legislativa, foram observados 1.027 eventos com ao menos uma linha nominal, entre 6 de fevereiro de 2024 e 30 de setembro de 2026. O período de voto de cada deputado pode ser menor. A base financeira soma R$ 176,76 milhões em empenhos localizados de janeiro de 2024 a setembro de 2026. São registros administrativos, não uma medida de benefício efetivamente recebido pela população.

Em matérias classificadas como de autoria do Executivo, 18 dos 25 deputados registraram 100% de votos “Sim” entre suas respostas binárias. A correlação de postos entre essa proporção e o empenho total por autor é praticamente nula (Spearman ρ = 0,037; n = 25). O indicador tem forte concentração no teto, apenas oito valores diferentes entre 25 pessoas, e não mede orientação oficial do governo: autoria da matéria não informa a recomendação de voto nem o motivo de cada escolha. Ao exigir ao menos 20 respostas binárias, a associação permanece baixa (ρ = 0,100; n = 23).

O voto na minoria oferece outro recorte, mas depende de como se define uma divisão. Na regra principal, entram apenas eventos com pelo menos dois votos “Sim” e dois “Não”; foram 26 eventos elegíveis. A correlação entre a proporção de votos na minoria e o empenho é ρ = −0,233 (n = 24). Se forem admitidas divisões com apenas um voto de cada lado, o conjunto sobe a 110 eventos, 84 deles com apenas uma pessoa no lado minoritário; a correlação passa a ρ = −0,223 (n = 24). Restringir o cálculo a parlamentares com pelo menos 20 oportunidades de dissenso muda mais a magnitude: ρ = −0,400 (n = 20) na regra principal e −0,319 (n = 23) na sensibilidade. Essa variação mostra por que os números devem ser lidos como exploração descritiva, não como evidência de troca, alinhamento, causalidade ou desempenho individual. Não foram calculados p-valores.

Os exemplos individuais ajudam a ver os denominadores. Antônio Vaz votou “Sim” em 259 de 259 respostas binárias observadas em matérias de autoria do Executivo. Nas 24 oportunidades de divisão com pelo menos dois votos de cada lado, esteve na minoria em três (12,5%); na regra mais ampla, foram três de 96 oportunidades (3,1%). Há 873 linhas com “Sim”, “Não” ou abstenção em 1.027 eventos observados. O resultado descreve respostas registradas, não presença física.

Gleice Jane registrou “Sim” em 232 de 252 respostas binárias em matérias de autoria do Executivo (92,1%). Ficou na minoria em 19 de 26 divisões segundo a regra principal (73,1%), mas em 27 de 95 quando se incluem divisões com minoria de uma pessoa (28,4%). O contraste decorre da mudança de conjunto e denominador; não deve ser resumido como uma característica fixa da deputada.

João Henrique teve 167 votos “Sim” em 232 respostas binárias de autoria do Executivo (72,0%). Ficou na minoria em 17 de 22 divisões pela regra principal (77,3%) e em 87 de 102 pela regra ampliada (85,3%). Essas proporções descrevem apenas os eventos elegíveis observados. Sem considerar agenda, conteúdo e contexto de cada votação, elas não explicam por que o deputado votou daquela forma.

João César Mattogrosso aparece apenas entre 26 de maio e 30 de setembro de 2026, com 102 linhas de eventos observadas. Seus dez votos binários em matérias de autoria do Executivo foram “Sim”, mas esse denominador curto não é comparável diretamente aos de parlamentares observados por período maior. Gerson Claro, por sua vez, aparece como presidente da Assembleia no material de votação. Teve apenas uma resposta binária em matéria de autoria do Executivo e 976 registros “Não votou” entre 1.027 linhas. Esses rótulos administrativos não demonstram presença ou ausência física; por isso, não se calcula uma conclusão sobre presença para ele.

Os empenhos não devem ser confundidos com valores apenas indicados em orçamento, pagos ou cancelados. A medida usada é a soma de empenhos estaduais rastreáveis no recorte; registros municipais sem documento localizado não provam que nenhum recurso existiu. Na grade de 25 autores por 79 municípios, “alcance” significa somente quantidade de municípios com empenho positivo localizado. Não informa população coberta, execução final ou resultado do gasto. O material mantém indicado, empenhado e pago em campos distintos, sem calcular uma taxa de execução a partir de indicações que podem incluir cancelamentos.

A base financeira organiza valores por parlamentar e município. Para calcular as correlações, os empenhos municipais foram somados por parlamentar e relacionados aos indicadores de votação de cada deputado. Não atribui a cada município um voto, não acompanha a mesma emenda até seu efeito e não controla diferenças de agenda ou exposição a votações. Votos em matérias do Executivo, posições minoritárias e empenhos municipais são dimensões distintas. As correlações não dizem que recursos causam votos nem que votos causam recursos; também não identificam orientação ideológica ou apoio geral ao governo.

Uma figura complementar apresenta votações nominais selecionadas por ano. Os símbolos mostram o voto registrado em cada item e as linhas horizontais mostram intervalos das estimativas de ponto ideal estáticas para a legislatura completa de 2023–2026. Elas não são estimativas anuais, nem medem mudanças individuais entre anos. A escala é uma dimensão de padrão de voto identificada pelo modelo; não deve ser lida como eixo esquerda–direita ou como medida geral de governismo.

10. Como ler os pontos ideais

Os pontos ideais resumem padrões de respostas em votações legislativas. Deputados próximos nessa dimensão tendem a apresentar padrões semelhantes nos itens usados pelo modelo. A posição não mede competência, mérito ou quantidade de trabalho. Também não é, por definição, uma escala de esquerda–direita ou de fidelidade ao governo.

Na figura, cada ponto representa a posição estimada e o segmento horizontal, um intervalo posterior de 95%. As duas legislaturas foram identificadas separadamente. Um deslocamento visual de um painel para outro não permite afirmar que a pessoa mudou de ideologia. As cores distinguem o PT dos demais partidos, sem transformar a posição horizontal em uma classificação partidária universal.

Em 2023–2026, João Henrique e Rafael Tavares aparecem num extremo da dimensão estimada, enquanto muitos parlamentares se concentram numa região mais próxima entre si. Isso descreve os padrões de voto incluídos no ajuste. Rafael Tavares está no estudo legislativo, mas fora dos 25 autores financeiros comparados neste relatório; os universos não são idênticos.

Essas estimativas complementam as proporções simples de voto na minoria, mas não são a mesma medida. Uma considera o padrão conjunto de respostas; a outra conta ocasiões específicas de dissenso.

O atlas mostra dois exemplos concretos de desacordo. Na operação de crédito com o BID, em 19 de novembro de 2025, e na revisão anual da remuneração dos servidores, em 26 de março de 2026, foram registrados 16 votos “Sim” e quatro “Não”. João Henrique, Gleice Jane, Pedro Kemp e Zeca do PT aparecem no lado minoritário desses dois itens. Esse conjunto específico não representa todas as votações: os itens foram escolhidos pelo maior desacordo anual no conjunto representado, que vai até 7 de outubro de 2026. A altura dos símbolos serve apenas para separar nomes e não mede outra dimensão política.

Figura 6. Posições estimadas nas votações da ALEMS

Figura 6. Posições estimadas nas votações da ALEMS

Estimativas por legislatura; médias e intervalos posteriores de 95%. Dimensões identificadas separadamente. A posição não é automaticamente ideologia ou apoio ao governo.

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Figura 7. Votos em dois itens selecionados da ALEMS

Figura 7. Votos em dois itens selecionados da ALEMS

Círculo vazio: Sim; X: Não. As posições e os intervalos são os da legislatura completa, não estimativas anuais. Itens de maior desacordo em cada ano no conjunto representado até 7/10/2026; não representam a votação típica. O cruzamento entre emendas e votações usa corte anterior, em setembro.

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11. Dentro dos municípios: locais e seções de votação

Também é possível consultar votos por seção e locais de votação com coordenadas para 2018, 2022 e 2026. Essa escala permite observar diferenças que desaparecem quando toda a cidade é resumida em um único total. Os pontos representam locais de votação, não endereços de eleitores ou áreas oficiais de influência.

As emendas examinadas aqui estão vinculadas a municípios. Não há base para distribuí-las entre bairros, locais ou seções eleitorais. Portanto, uma área de maior votação no mapa não pode ser descrita como beneficiária de determinada emenda sem outra evidência de localização e atendimento.

Campo Grande oferece um recorte útil para comparar Camila Jara e Luiz Ovando, que tiveram trajetórias opostas no total municipal. Os quatro painéis comparativos abaixo representam a quantidade de votos nominais de cada um por local. A área dos círculos usa a mesma escala nos quatro painéis. Um círculo maior pode refletir tanto maior apoio quanto um local com mais eleitores; não é uma medida isolada de preferência.

Em 2022, os maiores totais de Camila estavam na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no bairro Universitário (563 votos), e na Escola Municipal Elpídio Reis, em Mata do Jacinto (561). Em 2026, seu maior total aparece na Escola Municipal Padre Thomaz Ghirardelli, em Dom Antônio Barbosa (956), seguido da Escola Estadual Teotônio Vilela, no Núcleo Habitacional Universitárias (782). São os bairros registrados para o local de votação, não a residência confirmada de todos os eleitores.

Para Ovando, os maiores totais de 2022 estavam no Colégio Dom Bosco (403 votos) e na unidade da Unigran registrada no Centro (381). Em 2026, a Unigran aparece com 283 votos, seguida do IFMS em Santo Antônio, com 186. A identificação da instituição ajuda a localizar os registros, mas não garante que ela tenha recebido as mesmas seções ou os mesmos eleitores nas duas eleições. Por isso, estes mapas não estimam uma transferência individual de votos.

A soma dos votos de cada candidato por local coincide exatamente com seus totais municipais. Em 2022, há coordenadas para 234 de 236 locais. Os dois locais sem coordenadas somam 309 votos de Camila e 251 de Ovando; esses votos permanecem na tabela, mas não aparecem como pontos. Em 2026, todos os 230 locais têm coordenadas. As listas de locais pertencem a cada ano e não foram tratadas como unidades permanentes.

Há uma ressalva adicional: o total nominal federal somado por seção é 445.617 em 2022, enquanto a base municipal utilizada nos perfis informa 442.224. Em 2026, os totais são 446.261 e 446.259. A diferença foi preservada, sem ajuste arbitrário. Por essa razão, os mapas mostram contagens de votos dos candidatos, que foram conciliadas, e não percentuais que misturem os dois denominadores. A tabela dos locais preserva os registros com e sem coordenadas; a ressalva sobre os denominadores vale para a leitura dos dois anos.

Explore o mapa completo de Mato Grosso do Sul

Escolha um dos 79 municípios, a eleição e o cargo. Você pode consultar todos os candidatos com votos registrados, aproximar o mapa e clicar em um local para abrir os resultados de suas seções.

As áreas são desenhadas pela proximidade dos locais de votação, com recorte no limite municipal. São células de Voronoi: não equivalem a bairros, territórios eleitorais oficiais ou áreas beneficiadas por emendas. As coordenadas e a distribuição das seções podem mudar entre eleições.

Carregando o catálogo municipal…

As porcentagens desta consulta usam os votos nominais do mesmo cargo na base por seção. Os votos de legenda não entram nesse denominador. Ausência de coordenadas não retira o local da consulta. Esta base e os perfis municipais podem divergir; não combinamos seus denominadores. Células sem geometria válida permanecem consultáveis pelos pontos e pela lista. Empenhos continuam disponíveis apenas no nível municipal, na seção 8.

Campo Grande: comparação de Camila Jara e Luiz Ovando

12. Números que chamam a atenção

Uma concentração pode aparecer de duas maneiras. A primeira é a parcela dos votos nominais da cidade ou seção que foi para um deputado. A segunda é quanto da votação total desse deputado veio de poucos lugares. Uma base pode dominar uma cidade pequena sem representar a maior parte dos votos do candidato no estado.

Os destaques eleitorais abaixo se referem a 26 autores do relatório: sete federais e 19 estaduais que disputaram o mesmo cargo nas duas eleições. Jamilson Name fica fora dessa seleção pela inconsistência no registro de 2026, com 35.211 votos nominais e zero válidos, como descrito acima. Mudanças de cargo e candidaturas não confirmadas também ficam fora. Portanto, “maior” significa maior dentro deste conjunto, não entre todos os candidatos de Mato Grosso do Sul. Para os destaques municipais de participação, exigimos pelo menos mil votos nominais do cargo no município.

Caravina em Bataguassu: 76,07% da votação nominal local. Foram 9.602 dos 12.622 votos nominais para deputado estadual em 2026, a maior participação municipal estadual do recorte. Mas Bataguassu respondeu por 21,90% dos 43.845 votos dele no estado. O primeiro percentual descreve sua força na cidade; o segundo, o peso da cidade em sua votação. Os cinco maiores municípios reuniram 47,73% de seus votos em 2026, ante 55,21% em 2022. Sua votação se distribuiu mais entre municípios, mesmo com a participação elevada em Bataguassu.

Londres Machado em Vicentina: 45,00%. O deputado recebeu 1.912 dos 4.249 votos nominais estaduais. O caso se soma aos 36,83% em Coronel Sapucaia descritos anteriormente. Ter participações altas em várias cidades é diferente de depender de uma única base. Para medir essa dependência, é preciso olhar também a distribuição de todos os votos do parlamentar.

Rodolfo Nogueira em Sete Quedas: 39,25%. Foram 2.054 dos 5.233 votos nominais para deputado federal, a maior participação municipal entre os sete federais comparáveis. Já seu maior montante municipal de empenhos está em Dourados. Os dois destaques usam critérios diferentes e mostram por que a cidade de maior participação eleitoral não é necessariamente a de maior volume financeiro.

Paulo Duarte: 83,54% dos votos vieram de cinco municípios. Essa é a maior concentração nos cinco principais destinos eleitorais entre os estaduais comparáveis em 2026. Corumbá, sozinha, respondeu por 48,15% de seus 20.029 votos. Entre os federais, Camila Jara teve a maior concentração nessa medida: 56,57% dos 154.157 votos nos cinco principais municípios, sendo 41,21% em Campo Grande. As listas completas estão na tabela. Os cinco municípios são definidos separadamente em cada eleição e podem mudar.

Concentração financeira exige atenção ao tempo de exercício. Cinco municípios reuniram 93,94% dos R$ 1,649 milhão em empenhos municipais localizados de João César Mattogrosso. Houve registro positivo em seis destinos. A observação de suas votações legislativas começa apenas em maio de 2026, e a concentração não deve ser lida como desempenho comparável ao de um mandato inteiro. Entre os federais, os cinco maiores destinos de Rodolfo Nogueira reuniram 63,94% de seus R$ 74,92 milhões municipalizados, embora houvesse empenhos positivos em 50 municípios. São medidas de distribuição dos registros localizados, com janelas financeiras diferentes entre níveis.

O que aparece quando chegamos às seções

A base detalhada contém 7.106 seções por cargo nos 79 municípios. Com os 26 autores elegíveis, são 184.756 combinações autor–seção. Para o destaque principal, a seção precisa ter ao menos cem votos nominais totais para o cargo. O corte recai sobre o total da seção, não sobre os votos do candidato. Permanecem 7.029 seções federais e 7.018 estaduais. A tabela mostra as trinta maiores participações de cada cargo dentro desse recorte.

Caravina: 157 de 184 votos nominais estaduais, ou 85,33%. Esse é o maior percentual estadual com o corte principal. O registro é da seção 68, zona 6, na Escola Estadual Professor Braz Sinigáglia, em Bataguassu. Ao exigir ao menos duzentos votos nominais do cargo, o maior percentual continua sendo dele, mas em outra seção: 170 de 212 votos, ou 80,19%, na seção 20 da mesma zona, na Escola Estadual Peri Martins. A mudança de seção mostra que o critério de seleção importa.

Camila Jara: 138 de 232 votos nominais federais, ou 59,48%. O registro está na seção 398, zona 43, na Escola Municipal Aldeia Rancho Jacaré, em Laguna Carapã. É o maior percentual federal observado no conjunto tanto sem corte quanto com os limites de cem e duzentos votos. Outros exemplos ajudam a variar o olhar: Beto Pereira recebeu 77 de 139 votos nominais federais (55,40%) na seção 35, zona 41, na Escola Estadual da Debrasa, em Brasilândia; Junior Mochi recebeu 143 de 187 estaduais (76,47%) na seção 396, zona 43, na Escola Municipal Aldeia Guaimbé, em Laguna Carapã.

Por que não destacar apenas o maior percentual? Sem limite mínimo, o máximo estadual seria Pedro Kemp, com 43 de 48 votos nominais, ou 89,58%, na seção 313, zona 19, na Escola Polo Cheru Apyka Rendy, em Aral Moreira. O dado é preservado, mas fica fora da seleção principal porque o denominador é pequeno. Foram conferidos limites de 50, cem e duzentos votos. O corte mais exigente mantém apenas 3.236 seções federais e 2.865 estaduais; por isso, também muda substancialmente o universo que estamos descrevendo.

Como articular mapa, dados e apuração

O percurso de leitura começa na consulta dos 79 municípios, com votos e empenhos de cada parlamentar. O mapa de Campo Grande mostra, para dois casos contrastantes, como a votação se distribui entre os locais. A tabela de destaques por seção amplia o olhar para o estado e informa município, zona, seção, local e denominador. Os filtros permitem explorar os exemplos estaduais e federais e comparar os números que sustentam cada destaque.

Uma apuração local pode partir desses padrões para perguntar sobre trajetória política, demandas, instituições beneficiárias e atuação de lideranças. A concentração num local de votação não informa a identidade ou a motivação dos eleitores. Tampouco localiza os beneficiários das emendas. Para aproximar recursos de bairros ou comunidades, seria preciso conferir o endereço do projeto ou serviço e sua área efetiva de atendimento. Até lá, as emendas permanecem vinculadas ao município e os mapas detalhados descrevem somente a votação.

13. O alcance das conclusões

O conjunto aponta uma correspondência entre bases eleitorais e recursos municipalizados e uma associação entre empenhos anteriores e votação posterior. A evidência sobre relações permanentes, as diferenças entre escalas e a diversidade dos casos impedem uma explicação única e automática.

O relatório não mede a qualidade das obras e serviços, a residência de todas as pessoas beneficiadas nem o mérito individual dos parlamentares. Municípios maiores podem concentrar instituições que atendem pessoas de outras cidades. Valores por habitante utilizam a população residente e não resolvem essa diferença entre sede e área de atendimento.

Os períodos de exercício e de cobertura são desiguais. A ausência de município em parte dos recursos federais limita o que é possível dizer sobre a distribuição completa. Indicações, cancelamentos, empenhos e pagamentos não podem ser somados ou usados para calcular uma taxa de execução sem conciliação específica. Nos registros estaduais com coautoria, os valores foram rateados entre os autores, uma regra contábil que não mede contribuição política individual.

A análise da ALEMS acrescenta comportamento observado em votações, não uma medida completa de atuação parlamentar. A autoria de uma proposta não informa, por si, a orientação do governo em cada votação. Os pontos ideais dependem do conjunto de itens e das escolhas de identificação. Os mapas mostram locais de votação, não endereços dos eleitores nem a destinação intramunicipal de emendas.

Uma explicação dos mecanismos em cada caso exigiria examinar demandas, projetos, alianças, divulgação e entrega efetiva dos serviços. Não foram realizadas entrevistas para este relatório. Essas questões permanecem abertas, mesmo quando a associação estatística é precisa.